Guerra na Ucrânia: russos falam ao Jornal Hoje o que pensam sobre conflito, que vai completar um ano
A ONU considera a invasão russa uma violação do território e da soberania da Ucrânia, uma ofensiva que vai contra os princípios da carta das Nações Unidas. A Anistia Internacional afirma que as forças russas cometeram crimes de guerra, como ataques a civis. Mas Vladimir Putin insiste em dizer que é apenas uma operação militar especial e o governo pode punir com prisão quem falar que se trata de uma guerra.
O Jornal Hoje conversou com russos que vivem em Moscou e no exílio para entender qual a relação deles com a guerra. Mais de 70% deles apoiam a guerra, segundo a última pesquisa do Instituto Levada, de Moscou, mas 20% são contra.
Yaroslav Fedoseev, assessor de imprensa de uma grande empresa russa, é um dos que apoiam o presidente. Como não serviu o Exército, ele não pode lutar a guerra, mas saiu de Moscou para trabalhar como voluntário do Exército na Ucrânia em maio do ano passado.
“Um ano atrás, o Esército russo começou a operação especial de guerra na Ucrânia. Nós russos, eu e minha família, tínhamos certeza que essa operação terminaria em duas ou três semanas. Mas quando a Europa e os Estados Unidos decidiram ajudar os ucranianos com as armas, com armas terríveis, nós percebemos que seria uma verdadeira guerra”, critica.
Yaroslav repete a versão do governo Putin, sem levar em consideração que foi a Rússia que invadiu a Ucrânia. Em vídeo, ele tenta nos mostrar que a vida em Moscou não mudou nada desde a invasão.
“As pessoas estão sentadas, fazendo o que elas querem. Então, nós não temos guerra em Moscou. Tudo está ok!”, diz ele, rindo.
pelo menos em Moscou. A única coisa que realmente se sente é preocupação. Preocupação todo mundo tem, porque todo mundo tem parente na Ucrânia, todo mundo tem amigos, conhecidos. Eu, por exemplo, tenho familiares na Ucrânia. E aí, né, a preocupação a gente sente bastante”.
A fotógrafa e documentarista Anna Kapustina saiu da Rússia no ano passado e se mudou para Nova York, nos Estados Unidos, e conta que parou de conversar com amigos que são a favor do conflito.
“Quando soube da guerra e do que aconteceu na Ucrânia, quase perdi a cabeça. Chorei todos os dias. Telefonei todos os dias para os meus amigos na Ucrânia e não conseguia acreditar que isto era realmente real. Na Rússia, você não pode dizer a palavra guerra. Você pode ir para cadeia por isso. O governo chama de operação especial, porque esperava por uma vitória rápida”.
Fonte:g1