Você assumiu a Secretaria de Saúde pouco antes do Carnaval, período que traz desafios para a operação na folia. Qual o balanço o senhor faz da atuação da SMS?
A gente não teve descanso pós-carnaval. Na própria quarta-feira de cinzas, a gente terminou a reunião com o prefeito, depois teve a coletiva de imprensa. Também já tivemos uma reunião com todo o time da diretoria da secretaria, mais o time que toca a sala de situação, para avaliarmos como é que está a evolução das grandes epidemias que são as arboviroses e as chamadas SRAG, que é a sigla para Síndrome Respiratória Aguda Grave que agora depois do Carnaval tem uma tendência de, muitas vezes, de subir essa curva dessas síndromes. Então, a gente estava acompanhando como é que isso aí está, já mais de perto, mas já desde a quarta-feira de cinza nós iniciamos esse acompanhamento. Na verdade, o trabalho já vem sendo feito desde setembro. Tem uma campanha Verão Sem Mosquito que a Secretaria toca. Desde setembro, nessa época do verão, a gente intensifica as ações de borrifação, de eliminação dos focos principalmente no combate ao Aedes aegypti que é o vetor transmissor de dengue, chikungunya e zika então isso já vinha acontecendo durante o verão e agora no carnaval a gente intensificou essas
foi para as estações de transbordo para ver se encontrava foco para fazer aquelas vistorias, em todos os principais pontos turísticos. Mesmo no circuito, a gente fez vistoria com nossas equipes, ali nos principais circuitos da Folia.
Durante o Carnaval, nós atuamos, além do circuito da Folia, nós atuamos em 35 bairros, fiscalizamos mais de 600 imóveis, e vistoriamos mais de 3 mil depósitos. Para tentar bloquear a proliferação desse vetor do mosquito, são as chamadas ações de bloqueio, nós fizemos quase 100 ações com aquele UBV, que é aquela mochilinha que funciona como um fumacê nos locais onde a gente identificava áreas com risco elevado e ali a gente fazia essa ação com o UBV. Isso foi feito em paralelo aquelas ações do carnaval. E pela primeira vez, e pelas próximas seis semanas, a gente vai fazer esse acompanhamento mais de perto. Esse acompanhamento epidemiológico a gente fecha em semanas epidemiológicas, que encerram todos os sábados. Então, a gente fecha os números por semana, para a gente comparar com os números do ano passado, do ano anterior. A gente tem a métrica, de forma científica. Existem várias outras ações a serem tomadas em casos como esses. E o que é interessante desse carnaval é que pela primeira vez, falando especificamente dos SRAG, pela primeira vez a vacina de rotina foi aplicada mesmo dentro do carnaval.
Com a sua chegada, quais pontos já destaca como principais gargalos para a saúde na capital baiana? E quais pontos esse segundo mandato do prefeito Bruno Reis deve ter como prioridade para melhorias e sanar eventuais déficits?
O grande desafio que eu imagino que nós temos aqui nesse segundo mandato do prefeito, a gente vem melhorando a prestação de serviço público continuamente há 13 anos. Toda melhoria que você fez traz agora um novo nível de exigências, então o prefeito ano passado ele apresentou um plano de governo para a população em todas as áreas, mas também na área de saúde. Esse plano de governo foi vitorioso nas urnas com quase 80% dos votos. Então nós temos agora que tocar esse plano de governo mantendo o mesmo nível de excelência do serviço que tem sido prestado. Quando nós assumimos lá em 2013, Salvador tinha 26% de cobertura de atenção básica à saúde. E nós chegamos aos 70% agora. Então, é um novo padrão, é um novo patamar que nós estamos trazendo aqui na cidade. O maior desafio é esse. É manter essa régua de excelência nesse alto nível para que a gente possa seguir avançando sem nenhum retrocesso. Essa é a nossa meta e o nosso principal desafio aqui.
Você falava sobre a questão da vacinação de rotina durante o período do Carnaval. O tem de campanha de vacinação na cidade no momento?
A grande novidade é que estamos esperando o Ministério da Saúde liberar a vacinação para a gripe. A previsão do próprio Ministério da Saúde é que na segunda quinzena de março a gente inicie essa grande campanha. Estamos aguardando agora a posição do Ministério para que a gente possa iniciar essa gripe. Eu acho que essa é a grande novidade que nós teremos aí nas próximas semanas.
Atualizando algumas obras e entregas importantes que estão previstas ainda para esse ano na saúde. Eu queria que o senhor falasse como está o andamento do Hospital Maternidade e novas informações sobre a implantação de uma UBS no Subúrbio, na região do Mané Dendê.
Eu vou fazer as primeiras visitas a essas obras na semana que vem. Eu entrei pouco antes do carnaval, então meu foco até esse momento foi me integrar à equipe e dar todo o apoio a que essa grande equipe da Secretaria de Saúde precisasse para que a gente tivesse um carnaval tranquilo. Na semana que vem eu vou ter essas visitas às obras. Mas veja que a inauguração de uma unidade, como por exemplo a Maternidade, não é simplesmente a conclusão de uma obra. Você conclui a obra, você tem toda a parte de logística, você tem a aquisição dos equipamentos, instalação dos equipamentos, o teste pra que isso tudo esteja funcionando até que você chegue na fase de inauguração, então em breve eu vou poder divulgar qual vai ser esse cronograma pra inauguração de todas essas obras.
O cronograma não é simplesmente de uma obra, como acontece por exemplo em uma escola, onde você fez a obra, colocou imobiliário, os professores já existem na rede e a gente começa a operar. Na saúde é um pouquinho mais complicado, você tem toda a parte de equipamento, toda a parte de treinamento para que a gente possa iniciar o atendimento à população. Certamente não irá acontecer de entregar no primeiro semestre, eu vou vistoriar as obras na semana que vem e fazer esse planejamento junto com a equipe, da chegada dos equipamentos, das compras, das aquisições dos equipamentos, da montagem do hospital. Ele é um hospital super complexo e de funcionamento complexo.
Trazendo para a parte política da sua chegada na Saúde, como foi fechado seu nome dentro do PSDB? E fica o questionamento se os tucanos estão satisfeitos com os espaços obtidos dentro da gestão Bruno Reis?
Eu estou na gestão do prefeito Bruno Reis desde o primeiro dia de trabalho dele, quando ele foi eleito eu já comecei a trabalhar. Eu cheguei até a gestão do prefeito Bruno Reis por fazer questão de participar dessa revolução que a cidade está vivendo do ponto de vista gerencial. Então eu apresentei meu currículo através do PSDB, que é um partido que valoriza muito quadros técnicos. Historicamente, o PSDB sempre valorizou muito ter quadro técnicos dentro do seu grupo. Essa foi minha história no partido. O prefeito me confiou inicialmente a diretoria de infraestrutura na Secretaria de Educação. Ao passo de dois anos depois ele ter me convidado para assumir a Secretaria de Gestão, que é uma secretaria estruturante do município, a população conhece pouco a Secretaria de Gestão porque ela presta serviço para dentro. Ela presta serviço para as outras secretarias. Ela estrutura o município para que as outras secretarias possam prestar serviço.
agora, com muito orgulho, estou assumindo a Secretaria de Saúde. Eu acredito que o SUS é o maior programa de transferência de renda que nós temos em nosso país, um dos maiores do mundo. Não existe nenhum país no mundo com metade de nossa população que tenha um sistema de saúde tão amplo, tão universal como é o SUS. Então, você poder liderar esse programa na terceira maior capital do Brasil é um prestígio imenso. O partido está muito feliz de ter tido o nome indicado pelo partido, contemplado pelo prefeito, dentro de um critério técnico, como é a nossa característica. Da nossa pauta ideológica aqui dentro do partido. As conversas continuam, o partido tem outros grandes nomes técnicos que, certamente, no momento oportuno, deverão ser convidados pelo prefeito para ocupar outras posições. É como a gente costuma trabalhar, de três vereadores, voltamos com seis na nossa coligação, fizemos o presidente da Câmara mais uma vez, o presidente Carlos Muniz, então isso enrobusteceu politicamente o nosso partido. Só que essa é uma das mãos, a outra mão é ter pessoas técnicas qualificadas para ocupar as melhores posições .Felizmente, essa foi a interpretação do prefeito que concordou com a indicação do meu nome e o que muito me orgulha.
Fonte BAHIA NOTÍCIA