Pacheco é tratado por Lula como potencial candidato capaz de enfrentar a direita em Minas, considerado um dos mais importantes colégios eleitorais do país. Apesar de ainda se manter publicamente indeciso, o senador vinha sendo incentivado pelo Palácio do Planalto a entrar na disputa, inclusive como forma de estruturar o palanque do presidente em Minas. Procurado, Pacheco não se manifestou.
crise foi detonada após a rejeição de Messias pelo Senado, em uma votação histórica, de 42 votos contrários e 34 favoráveis. A derrota expôs falhas na articulação do governo e deu início a um movimento interno para mapear votos, que são secretos, e identificar possíveis traições, ainda que publicamente aliados rejeitem a ideia de uma “caça às bruxas”.
É nesse contexto que surgem as desconfianças sobre Pacheco. Interlocutores do governo relatam dúvidas sobre o grau de conhecimento do senador em relação à articulação que levou à derrota, capitaneada, segundo esses relatos, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
desconfiança ganhou força diante de uma aparente contradição de acenos do senador mineiro ao candidato ao Supremo. Nos dias que antecederam a votação, Pacheco fez uma série de gestos públicos de apoio a Messias, subscreveu uma nota favorável ao indicado ao lado da bancada do PSB, almoçou com o advogado-geral da União e fez questão de aparecer ao lado dele em uma foto tirada no encontro.
Apesar disso, integrantes do governo passaram a questionar se a postura refletia, de fato, seu posicionamento e questionam se Pacheco, até por sua proximidade com o presidente do Senado, não estava ciente da articulação de Alcolumbre.
cronologia dos fatos também alimenta as desconfianças. Segundo interlocutores, Davi Alcolumbre já atuava contra o nome de Messias desde o início da semana. Na terça-feira, após o almoço entre Pacheco e o indicado, o movimento teria se intensificado. Enquanto Pacheco se reunia com Messias, Alcolumbre teria ampliado contatos para consolidar votos contrários.
Há também, nos bastidores, reclamações sobre o fato de o senador não esclarecer se votou a favor ou contra Messias, o que, na visão de integrantes do partido, reforça a percepção de falta de comprometimento.
