O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu nesta quarta-feira ao ser questionado sobre o que espera do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), derrota que abriu uma das maiores crises políticas do terceiro mandato do petista com o Congresso.
Ao ser perguntado se aguardava algum gesto do Planalto depois da votação da última quarta-feira, que barrou o nome do advogado-geral da União, Alcolumbre respondeu:
— Eu tenho que esperar alguma coisa? Não tenho que esperar nada.
Na sequência, ao ser questionado se acredita que Lula ainda fará uma nova indicação ao Supremo neste ano, repetiu a resposta:
declaração ocorre em meio às tentativas do Planalto de reconstruir a relação após a derrota de Messias. Os ministros José Múcio e José Guimarães tiveram encontros com o presidente do Senado.
O chefe da AGU, um dos auxiliares mais próximos de Lula, teve sua indicação rejeitada pelo Senado após meses de desgaste político, adiamentos e articulações silenciosas nos bastidores da Casa. A derrota foi interpretada no governo como uma demonstração de força de Alcolumbre e aprofundou o mal-estar entre o senador e o Palácio do Planalto.
Nos bastidores, aliados de Lula atribuem ao presidente do Senado papel decisivo na articulação que levou à rejeição do nome. Senadores afirmam que Alcolumbre não apenas deixou de atuar pela aprovação de Messias, mas trabalhou contra a indicação junto a parlamentares de MDB, PSD, União Brasil e PP.
A crise vinha se acumulando desde o ano passado, quando Lula decidiu indicar Messias para a vaga no STF sem comunicar previamente Alcolumbre, que defendia reservadamente o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a cadeira.
fonte o globo
